Meio Ambiente

Quem são os donos do Rio Dart? Campanha revela fragmentação e pede direito de acesso

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Ativistas em Devon estão pressionando por um direito público às margens do Rio Dart, após descobrirem que o rio possui 108 proprietários distintos, com um oitavo das terras controlado por empresas offshore. Utilizando visitas ao local, mapas de pesca, registros da Companies House e dados do Land Registry, os moradores mapearam a propriedade do rio, que se estende por 47 milhas e totaliza quase 100 milhas de margens. Essa fragmentação destaca a complexidade do acesso público a rios na Inglaterra, onde pesquisas da British Canoeing indicam que menos de 4% dos rios estão abertos ao público para atividades como natação e canoagem.

Entre os maiores proprietários estão aristocratas e entidades históricas: a Duchy of Cornwall detém 28 milhas de margens, seguida pelo Spitchwick estate com 12 milhas e o Duke of Somerset com cerca de 1,25 milha. Além disso, 11,6 milhas pertencem a empresas offshore. Campanhas pelo direito de roaming há anos exigem que terras de aristocratas sejam abertas, como no protesto de 2022 na propriedade do Duke of Somerset, onde ativistas ignoraram placas de proibição para piqueniques e música. Em contraste, a Escócia permite acesso responsável a rios e terras, desde que sem danos ou rastros.

Lewis Winks, responsável pela pesquisa, afirmou que o Rio Dart, apesar de sua importância no cenário de Devon, tem direitos de propriedade envoltos em mistério, com pouca transparência mesmo para quem trabalha próximo ao rio. Ele destacou que rios mais longos, como o Severn ou o Tâmisa, provavelmente apresentam cenários ainda mais complexos, tornando negociações com múltiplos donos um “pesadelo logístico”. Winks defende uma abordagem baseada em direitos, similar à escocesa, para permitir caminhadas, natação e canoagem responsáveis.

Um porta-voz do Department for Environment, Food and Rural Affairs reiterou o compromisso do governo em designar nove novos “river walks” nacionais, um por região da Inglaterra, para ampliar o acesso à natureza, revertendo anos de negligência ambiental. No entanto, detalhes sobre locais e implementação ainda não foram divulgados, e ministros precisarão negociar com proprietários locais para obter permissões.

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