Dados recentes do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico revelam que apenas 1,82% dos resíduos recicláveis secos e orgânicos são efetivamente recuperados no Brasil. Em termos absolutos, isso equivale a 0,16 milhão de toneladas de materiais orgânicos e 1,17 milhão de toneladas de secos reaproveitados anualmente. Essa taxa é considerada preocupante, especialmente quando comparada ao grande volume de lixo gerado no país, destacando ineficiências no sistema de gestão de resíduos.
Apenas 36% da população brasileira tem acesso à coleta seletiva de resíduos domiciliares, o que evidencia uma cobertura limitada. As disparidades regionais são marcantes: enquanto quase metade dos municípios no Sul oferece o serviço, no Norte esse índice cai para apenas 5,6%. Essa falta de infraestrutura municipal e a desigualdade no acesso contribuem para agravar o quadro nacional de reciclagem, limitando as oportunidades de recuperação de materiais.
O engenheiro de controle da poluição ambiental Bernardo Verano atribui a baixa recuperação à ausência de estrutura nas cidades, à pouca conscientização populacional e à baixa demanda por materiais reciclados em certas regiões. Ele enfatiza que a reciclagem pode reduzir emissões, preservar recursos naturais e gerar empregos, defendendo o fortalecimento da legislação ambiental, a ampliação da coleta seletiva e uma fiscalização mais eficiente para promover a economia circular.
Verano alerta que “reciclar é uma questão ambiental, econômica e social. Sem ação pública consistente, o país continuará perdendo recursos valiosos no lixo”, reforçando a necessidade de medidas urgentes para elevar as taxas de recuperação.
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