Um novo estudo realizado no Parque Estadual de Águas da Prata, em São Paulo, a 225 km da capital, analisou os impactos da alimentação fornecida por humanos a um grupo de 26 macacos-prego. Publicado na Revista do Instituto Florestal, o trabalho identificou uma média de 7,7 eventos de alimentação antrópica por hora, incluindo o consumo de salgadinhos industrializados, refrigerantes e até o compartilhamento de utensílios como colheres. A pesquisa, conduzida pela bióloga Natascha Kelly Alves Scarabelo, da Unicamp e do Laboratório de Ecologia e Comportamento de Mamíferos (LAMA), sob orientação de Eleonore Setz, utilizou observações diretas em 66 horas ao longo de 24 dias, além de análises de fezes para caracterizar a dieta dos animais.
Os efeitos da alimentação inadequada vão além da saúde física, podendo causar desnutrição, deficiências nutricionais, aumento de triglicérides e sódio, e enfraquecimento do sistema imunológico, semelhantes a problemas em humanos. No comportamento, os macacos tornam-se mais sedentários, alteram padrões de atividade e enfrentam maior exposição a riscos como atropelamentos, choques elétricos e ataques de cães. Além disso, a dependência de comida humana pode gerar conflitos sociais, mudanças na hierarquia do grupo e falhas no aprendizado de forrageamento pelos filhotes, além de aumentar a população devido à redução de limitações reprodutivas sazonais.
Do ponto de vista sanitário, o contato próximo facilita a transmissão de doenças, como o herpesvírus, potencialmente letal para primatas. Para mitigar esses impactos, a autora recomenda ações de educação ambiental, capacitação de funcionários e instalação de placas informativas, especialmente em dias de alta visitação. O estudo, apoiado pelo CNPq, destaca a importância de condutas adequadas para preservar a fauna silvestre e evitar interações perigosas.
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