A expansão do aeroporto de Heathrow resultaria em um aumento significativo nas emissões de dióxido de carbono, o que poderia afastar ainda mais o Reino Unido de suas metas climáticas. O governo britânico argumenta que é possível compensar esse impacto por meio de investimentos em pesquisas sobre novos combustíveis de baixo carbono para aeronaves e aviões elétricos. No entanto, especialistas alertam que tais tecnologias ainda estão a décadas de distância de uma escala comercial viável, garantindo que qualquer nova pista seria operada por aviões a querosene de alto carbono, semelhantes aos atuais.
O Comitê de Mudanças Climáticas (CCC), consultor estatutário do governo sobre net zero, tem advertido repetidamente que a expansão de aeroportos violaria os orçamentos de carbono do Reino Unido, estabelecidos para alcançar emissões líquidas zero até 2050. Embora o CCC não possa ditar políticas específicas, ele afirma que qualquer aumento na capacidade aeroportuária só seria possível com cortes muito mais profundos em emissões de gases de efeito estufa em outros setores da economia. Em seu relatório mais recente ao Parlamento, o comitê enfatizou que planos de expansão devem basear-se em projeções realistas de demanda, consistentes com as metas climáticas e considerando os custos para o setor de aviação atingir net zero.
Ativistas climáticos, como Alethea Warrington, da organização Possible, e Doug Parr, da Greenpeace UK, expressam ceticismo, argumentando que a expansão não caberia nos orçamentos de carbono atuais, pois traria voos adicionais e emissões impossíveis de remover. Como alternativas, o CCC sugere que o setor de aviação pague por remoções permanentes de carbono, embora caras e em desenvolvimento. Outra opção seria substituir voos domésticos por viagens de trem, mas isso exigiria investimentos para baratear as ferrovias ou encarecer os voos, medidas que enfrentam resistências políticas.
Deixe um comentário