Apesar de sua fama de abundância hídrica, o Brasil enfrenta um risco crescente de desertificação, com mais de 1,4 milhão de km² de território suscetíveis a esse processo, afetando diretamente cerca de 1.500 municípios e 38 milhões de pessoas. Nesse contexto desafiador, a agricultora Eusébia Bezerra, no Semiárido cearense, está mudando a paisagem ao cultivar hortaliças orgânicas em um sítio familiar. Com o apoio do projeto REDESER, uma iniciativa da FAO em parceria com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, financiada pelo Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF), ela e sua família transformaram terra seca em uma produção sustentável.
Eusébia, criada em um assentamento rural no Ceará, mudou-se aos 16 anos para Juazeiro do Norte, onde trabalhou como empregada doméstica e babá. Em 2019, uma gravidez de risco a levou a deixar o emprego, e em 2021, o casal se mudou para o sítio do pai de seu marido, Henrique, a duas horas da cidade. Diferente da monocultura tradicional da região, como amendoim e milho, eles optaram por hortaliças orgânicas, motivados pela falta de opções locais sem agrotóxicos. O principal obstáculo era a seca, especialmente de agosto ao fim do ano, quando o poço secava.
Com o REDESER, a família recebeu capacitações em técnicas de reaproveitamento de água e cultivo sustentável, como agrofloresta e canteiros perenes, permitindo uma produção integrada de alface, coentro, cebolinha, pimentão, alho-poró, frutas, plantas medicinais e até criação de peixes. Semanalmente, vendem cerca de 12 quilos de alface e 15 quilos de coentro a uma cooperativa, gerando R$ 1.300 mensais, um complemento à renda familiar.
Para o futuro, planejam construir um novo poço para expandir a horta e vender produtos orgânicos diretamente na cidade. O projeto REDESER, com investimento de R$ 19 milhões até 2025, visa restaurar 900 mil hectares e beneficiar 1.500 produtores em cinco territórios brasileiros, promovendo a biodiversidade e melhores condições de vida.
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