As comunidades ribeirinhas da Amazônia enfrentam insegurança alimentar durante os períodos de cheia, quando uma em cada três pessoas relata pular refeições. Isso ocorre porque os peixes se espalham, dificultando a pesca, ao contrário das secas, em que eles se concentram. No entanto, secas severas, como as de 2023 e 2024, também prejudicam, ao complicar o transporte de alimentos por barcos. Esses dados ilustram a ligação entre os ciclos da água e a segurança alimentar, temas explorados no livro “Alimentação: avanços e controvérsias – Água, Planeta Terra”, lançado na quarta-feira (6). A obra, quinta edição da Coleção Verakis, reúne artigos de pesquisadores do Brasil e da Europa, destacando a água como elo entre cultura, saúde, ambiente e economia.
Outro foco do livro é a pegada hídrica na produção de alimentos, especialmente da carne. Produzir 1 kg de laranja consome em média 50 litros de água, enquanto 1 kg de carne exige 15.000 litros. Esses números reforçam a necessidade de um consumo equilibrado, priorizando ingredientes de base vegetal e produções agrícolas sustentáveis para minimizar o impacto ambiental.
A publicação aborda pilares da gestão sustentável da água, como o desenvolvimento de capacidades técnicas para projetos que garantam disponibilidade de água potável. Exemplos incluem a reciclagem de água da chuva, a dessalinização e a busca por espécies agrícolas resistentes às mudanças climáticas. Juliana Grazini dos Santos, presidente da Fundação Verakis e organizadora do livro, enfatiza que a água é desvalorizada, mas está presente em todos os aspectos da alimentação, desde o cultivo até a digestão. Ela defende mais pesquisas para prevenir doenças e uma abordagem integrada para valorizar o ciclo da água, mudando a visão de que ela é um recurso infinito.
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