Em meio ao aumento das temperaturas devido às mudanças climáticas, moradores de novos edifícios em Londres relatam condições insuportáveis de calor em suas residências. No desenvolvimento Leaside Lock, em Tower Hamlets, o estudante Lucian Ho, de 21 anos, descreve noites difíceis em seu apartamento no alto de um prédio de 28 andares, onde a única opção é abrir as janelas para aliviar o desconforto. O bairro, o mais densamente povoado do Reino Unido, com 81% das residências em apartamentos e uma explosão de torres altas nos últimos anos, sofre com a escassez de espaços verdes, agravando o efeito de “caixa quente” para os habitantes. Especialistas alertam que muitas construções novas não são projetadas para suportar verões extremos, e pedem atualizações nas normas governamentais para incluir medidas contra o superaquecimento.
Próximo dali, no complexo Three Waters, a professora Sandra Monteiro, de 41 anos, relata temperaturas internas que não caem abaixo de 27°C há meses, chegando a 33°C neste verão, o que causa dores de cabeça, fadiga e dificuldades respiratórias. A proximidade com a rodovia A12 traz poeira e ruído ao abrir janelas, e a ausência de árvores nas ruas contribui para o problema, conforme destacado pelo UK Green Building Council, que recomenda vegetação urbana para resfriar ambientes. Monteiro, que comprou uma cota do imóvel, considera mudar-se devido ao impacto na saúde, incluindo riscos cardiovasculares e distúrbios do sono quando as temperaturas excedem 25°C.
Mais ao norte, em Kestrel House, no bairro de Islington, o residente Chris Brown, de 76 anos, instalou ar-condicionado para combater picos de 30°C a 35°C em seu apartamento no 17º andar, exacerbados pelo efeito de ilha de calor urbano em áreas com muito concreto e pouca vegetação. Com condições como diabetes e fadiga crônica, ele nota piora na saúde durante ondas de calor, que contribuíram para cerca de 358 mortes em residências no Reino Unido em 2024, principalmente por agravamento de doenças existentes. Autoridades locais, como o conselho de Islington, reconhecem o desafio em edifícios antigos e propõem soluções como revestimentos refletivos e infraestrutura verde, enquanto construtoras como Peabody e Guinness Homes afirmam implementar ventilação e sombreamento em novos projetos para mitigar o superaquecimento.
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