O ex-vice-presidente dos Estados Unidos, Al Gore, afirmou nesta terça-feira (12) que a crise climática representa o desafio mais sério já enfrentado pela humanidade, comparável à ameaça de uma guerra nuclear, mas que muitas pessoas ainda não compreendem sua gravidade. Durante o evento “Mudança Climática, Desenvolvimento Sustentável e Democracia”, organizado pelo BNDES no Rio de Janeiro, Gore destacou exemplos recentes, como temperaturas de 44°C em São Paulo em fevereiro, 50°C em Bagdá levando ao colapso da rede elétrica, e enchentes devastadoras no Rio Grande do Sul. Ele participou do debate ao lado do presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.
Mercadante concordou com a urgência da situação, ressaltando que a temperatura média da Terra superou 1,5°C nos últimos dois anos, ultrapassando os cenários mais preocupantes de aquecimento global. Ele mencionou o papel do BNDES no combate aos impactos, com uma diretoria dedicada a desastres naturais e investimentos de R$ 29 bilhões na recuperação do Rio Grande do Sul. Gore reforçou que más notícias climáticas são cada vez mais frequentes, mas expressou crença em iniciativas capazes de reverter o quadro.
O ex-vice-presidente elogiou a liderança brasileira na COP30, vendo-a como estratégica para acordos globais de redução de emissões de gases de efeito estufa. Ele destacou o Balanço Ético Global, iniciativa proposta pelo presidente Lula e pela ministra Marina Silva, que promove o protagonismo da sociedade civil em decisões climáticas por meio de eventos intercontinentais. Gore mostrou otimismo com o evento, comparando-o ao sucesso da Rio-92.
Em relação às tarifas de 50% impostas por Donald Trump a produtos brasileiros, Gore criticou a medida, pedindo desculpas e enfatizando a longa relação benéfica entre Brasil e EUA. Mercadante classificou o tarifaço como um desafio desancorado na realidade comercial, especialmente considerando o superávit dos EUA com o Brasil.
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