Ondas de calor intensas estão quebrando recordes de temperatura em diversas regiões da Europa, com impactos significativos no meio ambiente e na saúde pública. No sudoeste da França, cidades como Angoulême, Bergerac, Bordeaux, Saint-Émilion e Saint-Girons registraram temperaturas até 12°C acima da média das últimas décadas, com 40% das estações meteorológicas superando os 40°C na segunda-feira. Na Croácia, Šibenik atingiu 39,5°C e Dubrovnik, 38,9°C, enquanto incêndios florestais se espalham pela costa e afetam países vizinhos nos Bálcãs. Além da Europa, recordes foram batidos no Canadá e temperaturas acima de 50°C no Iraque causaram um apagão nacional.
Os incêndios florestais, agravados pelo calor e pela seca, já queimaram mais de 400 mil hectares na Europa este ano, 87% acima da média das últimas duas décadas. Na Itália, 16 cidades entraram em alerta vermelho por calor, com a morte de uma criança de quatro anos por insolação, e na Espanha, um homem faleceu após queimaduras em 98% do corpo em um incêndio. Especialistas como Lauriane Batté, da Météo France, destacam que mais da metade das 51 ondas de calor na França desde 1947 ocorreram nos últimos 15 anos, sinalizando o aquecimento climático. Bob Ward, do Grantham Research Institute, afirma que verões excepcionais com calor extremo se tornaram a norma global.
Cientistas alertam para condições climáticas que formam um “coquetel molotov” propício a incêndios, com riscos extremos projetados para o sul da Europa e anomalias no norte. O calor elevado mata dezenas de milhares anualmente no continente, e projeções indicam um aumento de 8 mil a 80 mil mortes por ano até o fim do século. Antonio Gasparrini, epidemiologista da London School of Hygiene & Tropical Medicine, enfatiza a necessidade de medidas públicas eficazes para mitigar os efeitos, enquanto a Organização Meteorológica Mundial aponta que incêndios e má qualidade do ar agravam os impactos à saúde.
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