As negociações internacionais para um tratado global visando combater a poluição plástica colapsaram em Genebra, sem que os países chegassem a um acordo. Os debates, que se estenderam além do prazo de quinta-feira até a manhã de sexta, ficaram travados no ponto central: a redução da produção exponencial de plásticos e a imposição de controles legais sobre químicos tóxicos. Iniciadas em 2022 com otimismo, as discussões envolveram 184 nações, mas não resultaram em um caminho claro adiante, apesar de esforços para uma sessão retomada no futuro.
Representantes de vários países expressaram decepção e frustração. A ministra francesa Agnès Pannier-Runacher criticou nações guiadas por interesses financeiros de curto prazo que bloquearam um tratado ambicioso, enquanto a delegada britânica Emma Hardy destacou o trabalho incansável do Reino Unido por um acordo efetivo. O colombiano Sebastián Rodríguez apontou obstruções de um pequeno grupo de estados, e Tuvalu, representando ilhas do Pacífico, alertou sobre o impacto contínuo da poluição nos oceanos, afetando ecossistemas, segurança alimentar e culturas locais. A delegação chinesa viu o revés como um novo ponto de partida para consenso futuro.
O presidente do comitê, Luis Vayas Valdivieso, apresentou dois rascunhos de texto, ambos rejeitados. A Arábia Saudita e o Kuwait argumentaram que faltava equilíbrio, especialmente quanto à produção de plásticos, considerada fora do escopo por eles. O rascunho final reconheceu níveis insustentáveis de produção, mas omitiu limites específicos. Delegados como Dennis Clare, de Micronésia, sugeriram prosseguir sem petrostados obstrucionistas, e ONGs como a Environmental Investigation Agency chamaram o fracasso de golpe ao multilateralismo, defendendo votações ou negociações alternativas para um tratado eficaz.
Embora a sessão tenha sido adjornada, há reconhecimento de que lições devem ser aprendidas para uma abordagem renovada, com foco em ação global contra a poluição plástica.
Deixe um comentário