Faltando pouco mais de 80 dias para o início da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), em Belém, cerca de 80% dos 197 países signatários do Acordo de Paris não atualizaram suas metas de redução de gases de efeito estufa, conhecidas como Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs). O alerta foi emitido pelo embaixador André Corrêa do Lago, presidente designado da COP30, em sua sexta carta à comunidade internacional, divulgada nesta terça-feira (19). Ele enfatizou que as NDCs representam o compromisso dos governos com seus povos e com o multilateralismo, advertindo que quatro quintos dos membros do acordo ainda não apresentaram novas metas para 2035.
O Acordo de Paris, o maior tratado mundial para combater as mudanças climáticas e limitar o aquecimento global a 1,5 grau Celsius acima dos níveis pré-industriais, completa dez anos em 2025, mas as nações têm falhado em cumpri-lo. De acordo com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), é necessário reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 57% até 2035 para estabilizar o clima nesse limite e evitar um ponto de não retorno. A expectativa é que muitos países divulguem suas NDCs até 24 de setembro de 2025, durante um evento liderado pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, às margens da 80ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York.
A presidência da COP30 anunciou a antecipação de consultas sobre temas centrais da conferência, que tradicionalmente ocorrem apenas na segunda semana do evento. Essas consultas, coordenadas com a presidência da COP29 e os órgãos subsidiários, começarão online nas próximas semanas, seguidas de sessões presenciais em 25 de setembro em Nova York e em 15 de outubro em Brasília. Elas visam abordar questões como mitigação, adaptação, meios de implementação, transição justa e o balanço global de emissões, promovendo um processo inclusivo e transparente para avançar nas negociações.
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