Meio Ambiente

Declaração de Bogotá une países amazônicos contra crise climática, mas ativistas cobram metas mais firmes

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Chefes de Estado e representantes da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA) divulgaram a Declaração de Bogotá, aprovada durante o quinto encontro de líderes regionais na capital colombiana, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O documento atualiza compromissos para proteger a maior floresta tropical do mundo, reforçando ações contra o desmatamento e a perda de biodiversidade, alinhadas ao Acordo de Paris. Além disso, serve como plataforma para engajar os países na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), prevista para Belém, no Pará, a primeira em solo amazônico.

O texto destaca a urgência de evitar o “ponto de não retorno” da Amazônia, onde a floresta poderia entrar em colapso irreversível, perdendo capacidade de absorver carbono. O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) avaliou o resultado como positivo, citando a criação de um painel científico para estudar o tema, baseado em trabalhos como o do professor Carlos Nobre. No entanto, ativistas como João Pedro Galvão Ramalho, do coletivo Pororoka e do Fórum Social Pan-Amazônico, criticaram a ausência de metas concretas contra o desmatamento, especialmente diante de queimadas recordes em 2024 na Bolívia e no Brasil.

A declaração menciona a necessidade de uma transição energética justa, mas sem compromissos firmes sobre combustíveis fósseis, o que dividiu os países – Colômbia defendeu a saída do extrativismo, enquanto Brasil, Peru, Equador e Venezuela resistiram. Avanços incluem a expansão da participação social, como a proposta de OTCA Social e o Mecanismo Amazônico de Povos Indígenas, celebrados pela sociedade civil. Outros pontos envolvem proteção a povos indígenas em isolamento, combate à mineração ilegal e apoio ao Fundo Florestas Tropicais para Sempre, a ser lançado na COP30.

Institucionalmente, o documento eleva as reuniões de presidentes à instância máxima da OTCA e fortalece sua secretaria, além de promover cooperação em segurança ambiental e rastreabilidade do ouro.

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