Stellios Boutaris, produtor de vinhos com vinhedos em Naoussa, Amyndeon e na ilha de Santorini, na Grécia, afirma não estar pronto para mudar de profissão, mas reconhece que as práticas antigas não funcionam mais. Ele lidera o grupo Kir-Yianni e destaca que a crise climática pressiona produtores no Mediterrâneo, com eventos extremos como incêndios florestais afetando Espanha, França e Grécia. Boutaris está determinado a manter o negócio familiar, mas alerta que a curva de produção não é favorável, impactando preços de vinhos, azeitonas, frutas cítricas e vegetais devido a secas, inundações e altas temperaturas.
Para combater esses desafios, Boutaris adota novas estratégias, como instalação de irrigação e armazenamento de água, plantio de vegetação entre as vinhas para reter umidade e reduzir temperaturas, além de aquisição de terras mais altas e variedades de uvas mais resistentes. Ele investiu €250 mil em irrigação e planeja mais €200 mil para 40 hectares em Santorini. Esses custos extras serão repassados aos consumidores, tornando vinhos baratos mais raros, especialmente da França, Espanha e Grécia. Já neste verão, secas em Espanha, Itália e Portugal elevaram preços de frutas e vegetais importados pelo Reino Unido.
Projeções indicam piora: até 2050, perdas anuais em cultivos na UE podem aumentar até dois terços, alcançando €24,8 bilhões, com maior risco de secas em Espanha, Itália e Grécia. Países como França, Itália, Espanha e Romênia enfrentarão os maiores aumentos em perdas, impulsionados pela seca. Enquanto isso, cultivos migram para o norte, com investimentos em vinhedos ingleses e experimentos com feijões e grão-de-bico no Reino Unido. No entanto, adaptações são caras para fazendas familiares, levando ao abandono de terras na Grécia e Espanha, onde produtores buscam inovações como novos sistemas de irrigação e cultivos menos sedentos.
Especialistas como Peter Alexander, da Universidade de Edimburgo, observam que o avanço da crise climática torna a adaptação mais difícil e dispendiosa, afetando até cultivos exóticos como café e cacau. Em regiões como Andalucía e Puglia, empresas como Filippo Berio investem em armazenamento de óleo de oliva e diversificam fontes, mas a falta de chuvas persiste como obstáculo. Analistas preveem que preços de alimentos continuarão subindo, com agricultores precisando de margens maiores para cobrir custos de adaptação, como estufas e reservatórios.
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