Na Amazônia, as mudanças climáticas, como variações na temperatura e no regime de chuvas, ameaçam a biodiversidade e o sustento das populações que dependem da floresta. Um policy brief lançado na última sexta-feira (29) propõe medidas de adaptação, incluindo a valorização da natureza e dos conhecimentos tradicionais, a restauração florestal em larga escala e a proteção das águas, fundamentais para a agricultura e o transporte fluvial. Elaborado por pesquisadores do Instituto Tecnológico Vale Desenvolvimento Sustentável (ITV), em parceria com instituições como a Universidade de São Paulo (USP) e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o documento reúne recomendações baseadas em literatura científica para políticas públicas que garantam segurança alimentar e hídrica, especialmente para povos indígenas, comunidades ribeirinhas, quilombolas e moradores rurais e urbanos.
As ações sugeridas abrangem a proteção e restauração de serviços ecossistêmicos, como polinização e dispersão de sementes, por meio da criação de bancos de sementes e redes de coletores, além da identificação de espécies alimentares resilientes e sua diversidade genética. A coordenadora da publicação, Tereza Cristina Giannini, pesquisadora do ITV, destaca que o trabalho multidisciplinar integra cientistas de bioeconomia e sustentabilidade de cadeias alimentares na Amazônia, vinculados a projetos do ITV e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). A motivação surge de estudos prévios que indicam impactos negativos em cerca de 200 espécies de plantas consumidas por povos nativos, como a castanha-do-pará, e responde à orientação do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) de priorizar a adaptação, uma vez que alguns efeitos ambientais são irreversíveis.
Giannini enfatiza que as mudanças climáticas formam um mosaico de impactos complexos sobre as comunidades humanas, indo além da mitigação. Os próximos passos dos projetos incluem a criação de uma cartilha sobre “plantas do futuro”, análise de impactos em polinizadores agrícolas como os envolvidos na produção de cacau, açaí e castanha-do-pará, mapeamento da vulnerabilidade alimentar de povos indígenas e a finalização de um estudo sobre o genoma do cacau para melhorias genéticas e preservação. O policy brief sintetiza conhecimentos multifacetados sobre os efeitos climáticos na alimentação, destacando caminhos possíveis para enfrentar o tema.
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