Vinhedos tradicionais são ambientes hostis para minhocas, com solos nus e compactados por máquinas, além do uso intensivo de pesticidas que prejudicam esses invertebrados. No entanto, cientistas e produtores de vinho estão adotando práticas para tornar essas áreas mais acolhedoras, reconhecendo o papel crucial das minhocas como engenheiras do ecossistema. Elas aeram o solo, reciclam matéria orgânica e contribuem para a biodiversidade, mas suas populações diminuíram em um terço no Reino Unido nos últimos 25 anos devido a pesticidas e cultivo excessivo.
Marc-André Selosse, professor do Museu Nacional de História Natural em Paris, defende o aumento de cobertura vegetal e a redução do cultivo do solo em vinhedos franceses, que representam 3% das áreas agrícolas do país, mas consomem 20% dos químicos. Ele argumenta que, mesmo com o uso de herbicidas como glifosato em sistemas sem cultivo, a biomassa microbiana aumenta em 30%, beneficiando as minhocas. Selosse compara as populações remanescentes a uma “Bela Adormecida”, sugerindo que práticas regenerativas podem revivê-las sem a necessidade de introduzir novas minhocas.
No Reino Unido, produtores como Jules e Lucie Phillips, da Ham Street Wines em Kent, abandonaram métodos convencionais após observarem solos degradados sem minhocas. Convertendo-se para práticas orgânicas e biodinâmicas, eles aplicam chás de ervas, evitam cultivo e usam coberturas vegetais longas, elevando a contagem de minhocas de zero para 20 ou 30 por punhado de terra. Rob Poyser, da consultoria Vinescapes, relata que o cultivo de flores silvestres e plantas como trevo em vinhedos regenerativos restaura ecossistemas em três a cinco anos, promovendo fertilidade natural e biodiversidade.
Essas iniciativas destacam como vinhedos podem equilibrar produção com conservação ambiental, beneficiando tanto a saúde do solo quanto a sustentabilidade da viticultura.
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