Apesar de invisíveis a olho nu, micro e nanoplásticos estão contaminando sistemas de águas subterrâneas, que fornecem quase metade da água potável consumida no mundo. Esses poluentes derivam principalmente de produtos agrícolas, como coberturas plásticas, recipientes de pesticidas e sacos de fertilizantes, que se infiltram no solo e atingem lençóis freáticos devido ao seu tamanho reduzido. Um artigo publicado na revista Anais da Academia Brasileira de Ciências, elaborado por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), revela essa onipresença por meio de uma revisão de mais de 50 estudos científicos de 2019 a 2024, priorizando fontes de alta qualidade das bases Web of Science e ScienceDirect.
Victor R. Moreira, um dos autores do estudo e pesquisador da UFMG, destaca a necessidade de substituir plásticos por materiais biodegradáveis, pois partículas menores predominam em camadas profundas, tornando sua remoção um desafio maior. A análise indica que pesquisas sobre microplásticos são mais comuns do que sobre nanoplásticos, embora estes últimos sejam mais prevalentes em águas subterrâneas devido à maior mobilidade pelo solo. Além disso, biossólidos oriundos do tratamento de esgoto, ricos em nutrientes e usados como fertilizantes agrícolas, contribuem para a contaminação ao reintroduzir plásticos adsorvidos no lodo de volta ao ambiente.
Para mitigar os impactos, os pesquisadores recomendam estudos temporais que avaliem variações sazonais e análises espaciais em áreas de intensa atividade agrícola. Ademais, experimentos laboratoriais são essenciais para investigar a toxicidade desses plásticos e seu potencial como vetores de agrotóxicos, visando uma compreensão mais profunda dos riscos à saúde e ao meio ambiente.
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