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Recuperação energética: solução ignorada contra o passivo dos aterros

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Marcelo Casagrande / Agencia RBS

Impactos invisíveis
No Brasil, os aterros sanitários ainda são tratados como solução central para os resíduos urbanos, mesmo diante de seus custos ambientais e sociais. Estudos revelam que até 70% do metano gerado nesses locais não é captado, apesar de sistemas modernos de biogás. Esse dado, confirmado por medições de satélite, mostra o peso desse poluente que, em 20 anos, tem efeito 86 vezes mais danoso ao clima do que o CO₂. Além disso, os aterros produzem chorume, contaminam lençóis freáticos e ampliam riscos à saúde.

Benefícios do WtE
A recuperação energética de resíduos (Waste-to-Energy – WtE) surge como alternativa eficaz e já consolidada em países desenvolvidos. Usinas modernas reduzem até 8,4 vezes as emissões de gases de efeito estufa em relação a aterros. Se implantadas em 28 regiões metropolitanas brasileiras, evitariam 51 milhões de toneladas de CO₂ equivalente por ano, o que corresponderia ao plantio de 7 bilhões de árvores. A tecnologia ainda permite a recuperação de metais e a geração de energia limpa a partir de resíduos que, de outra forma, seriam passivos ambientais.

Mitos e custos
Um dos principais ataques à WtE é o suposto custo elevado da energia gerada. Porém, análises isoladas do preço do megawatt ignoram os custos evitados com aterros: danos ambientais, tratamento de passivos, emissões de metano e riscos à saúde pública. Estudos indicam que a tarifa de energia teria acréscimo mínimo de 0,06% para viabilizar esses projetos. Em contrapartida, bilhões de reais continuam sendo gastos no manejo de aterros e na correção dos impactos que eles provocam.

Urgência brasileira
A União Europeia e outros países já restringem ou banem aterros desde a década de 1990, demonstrando que tratá-los como solução final é ineficaz e obsoleto. No Brasil, a lentidão em adotar usinas WtE mantém o país refém de um modelo poluente e ultrapassado. A tecnologia, longe de competir com a reciclagem, é complementar, gerando empregos, energia renovável e fortalecendo a economia circular. Ignorar esse caminho é perpetuar uma gestão de resíduos que não apenas polui, mas agrava a crise climática e sanitária.

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