Meio Ambiente

Garimpo ilegal persiste e se expande em áreas protegidas da Amazônia

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Mesmo com avanços em ações de proteção, o garimpo ilegal continua a ameaçar Unidades de Conservação e Terras Indígenas na Amazônia. Um monitoramento do Greenpeace Brasil revela que a área ocupada por essa atividade soma 99.030 hectares, equivalente a mais de duas vezes o território de Curitiba. Desse total, 31.333 hectares estão em Terras Indígenas e 67.697 em Unidades de Conservação. A devastação inclui perda de biodiversidade, contaminação de rios por mercúrio e riscos à vida de povos indígenas e comunidades tradicionais, além de associações com violência e exploração de trabalhadores.

O garimpo, antes concentrado em territórios como Munduruku, Kayapó e Yanomami, agora se espalha para áreas como a Terra Indígena Sararé e o território Nambikwara, que registrou 773 hectares de novas áreas desmatadas. Outras terras indígenas, como Aripuanã, Zoró e Sete de Setembro, apresentaram aumentos na área de garimpo em 2025, totalizando 179,35 hectares adicionais. Na Terra Indígena Sawré Muybu, do povo Munduruku, foram identificados 11 hectares de novas áreas em julho de 2025, com barracões e piscinas formadas pela atividade ilegal, apesar da recente portaria declaratória de reconhecimento do território.

Nas Unidades de Conservação, a área de garimpo cresceu 18% entre julho de 2024 e junho de 2025, passando de 13.484 para 15.932 hectares, com maior impacto em áreas de uso sustentável. A Floresta Nacional do Amanã lidera o ranking das mais afetadas, enquanto o Parque Nacional dos Campos Amazônicos registrou um aumento de 95,9%. Metade das dez unidades mais atingidas fica próxima à Terra Indígena Munduruku, indicando migração de garimpeiros para regiões vizinhas na bacia do Tapajós.

Os dados destacam que ações de combate, como as desintrusões em algumas terras indígenas, resultaram em reduções significativas, demonstrando que é possível conter a expansão. No entanto, o monitoramento contínuo e medidas preventivas são essenciais para evitar a consolidação da atividade ilegal, que compromete o equilíbrio ambiental e climático da região.

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