O presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu a 30ª Conferência das Partes (COP30) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, em Belém, defendendo uma governança global que promova uma transição justa para economias de baixo carbono. Ele destacou que essa transição deve reduzir as desigualdades entre o Norte e o Sul Global, acumuladas por séculos de emissões, e alertou que a emergência climática agrava injustiças, afetando desproporcionalmente mulheres, afrodescendentes, migrantes e grupos vulneráveis. Lula enfatizou o papel dos territórios indígenas e comunidades tradicionais na preservação das florestas e na regulação do carbono, mencionando que mais de 13% do território brasileiro é demarcado para povos indígenas, embora considere isso insuficiente.
Em seu discurso, Lula citou o pensador indígena Davi Kopenawa para pedir clareza aos negociadores, comparando o pensamento urbano obscurecido pelo ruído das máquinas à serenidade da floresta amazônica. Ele criticou duramente os negacionistas climáticos, que rejeitam a ciência e espalham desinformação, e reafirmou que a COP30 será a “COP da verdade”. O presidente apontou que, sem o Acordo de Paris, o mundo enfrentaria um aquecimento catastrófico de quase cinco graus até o fim do século, e pediu aceleração nas ações, incluindo a superação da dependência de combustíveis fósseis, responsáveis por 75% do aquecimento global.
Lula propôs a criação de um Conselho do Clima vinculado à Assembleia Geral da ONU para fortalecer a governança global e garantir que compromissos se tornem ações concretas, como NDCs mais ambiciosas, financiamento e transferência de tecnologia para países em desenvolvimento. Ele observou que as mudanças climáticas já causam tragédias atuais, citando eventos como o furacão Melissa no Caribe e tornados no Paraná, além de secas, incêndios e enchentes em diversas regiões. Realizada pela primeira vez na Amazônia, a COP30, que vai até o dia 21, visa recolocar o tema no centro das prioridades internacionais, com Lula destacando os desafios sociais e econômicos do bioma, lar de quase 50 milhões de pessoas, incluindo 400 povos indígenas.
De improviso, o presidente agradeceu ao povo do Pará pela hospitalidade e elogiou a culinária local, como a maniçoba, enquanto comparou os altos gastos militares globais, acima de US$ 2 trilhões, à necessidade de US$ 1,3 trilhão anuais para ações climáticas, argumentando que é mais barato cuidar do clima do que fazer guerra.
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