O Tribunal Superior de Justiça de Londres condenou a mineradora inglesa BHP, nesta sexta-feira (14), pelo rompimento da Barragem de Fundão, em Mariana, Minas Gerais. A empresa, acionista da Samarco, foi considerada responsável pelo desastre ocorrido há dez anos. Segundo a decisão, o risco de colapso era previsível, e foi imprudente continuar elevando a barragem sem análises adequadas. A corte destacou que um teste de estabilidade teria identificado fatores de segurança, diante de sinais como rejeitos saturados, infiltrações e fissuras.
Em nota, a BHP anunciou que recorrerá da decisão e reforçou seu compromisso com a reparação no Brasil, por meio do Novo Acordo do Rio Doce. A empresa informou que já pagou cerca de R$ 70 bilhões aos moradores da Bacia do Rio Doce e a entidades públicas, beneficiando mais de 610 mil pessoas com indenizações, incluindo 240 mil autores da ação no Reino Unido que aceitaram quitações integrais. A corte britânica confirmou a validade desses acordos, o que deve reduzir o escopo da ação em curso.
O valor da indenização não foi divulgado. Uma nova audiência está prevista para o primeiro semestre de 2027, para avaliar a dimensão dos danos causados pelo rompimento, que despejou toneladas de rejeitos, contaminou rios e matou 19 pessoas. Uma terceira etapa, com definição de indenizações individualizadas, deve ocorrer em 2028. A BHP defende que as medidas no Brasil são o caminho mais efetivo para reparar as vítimas e o meio ambiente.
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