Ângela Maria Feitosa Mendes segue os passos de seu pai, Chico Mendes, como uma das principais ativistas ambientais do Brasil. Chico Mendes, assassinado aos 44 anos em 1988 por ordem de fazendeiros em sua casa em Xapuri, no interior do Acre, dedicou a vida à defesa da floresta amazônica e de seus povos. Se estivesse vivo, o líder seringueiro completaria 81 anos em dezembro, e sua filha agora lidera o Comitê Chico Mendes, um espaço que reúne ativistas em prol da justiça social alinhados à luta do chamado Mártir da Floresta.
O comitê foi fundado na noite do assassinato de Chico Mendes por lideranças políticas e de direitos humanos, com o objetivo de pressionar por justiça e evitar a impunidade. Dois anos após o crime, em dezembro de 1990, a Justiça condenou os fazendeiros Darly Alves da Silva e seu filho, Darcy Alves Ferreira, a 19 anos de prisão pela morte do ativista. Em vida, Chico Mendes combateu as condições precárias de trabalho dos seringueiros, que viviam em regime próximo à semiescravidão, e denunciou os financiadores da destruição da floresta amazônica.
Nos anos 1980, Chico Mendes ajudou a criar a Aliança dos Povos da Floresta, unindo lideranças indígenas e seringueiros para reivindicar a demarcação de territórios e a criação de reservas extrativistas. Seu legado é homenageado no nome do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), responsável pela gestão das unidades de conservação federais. Atualmente, o comitê liderado por Ângela Mendes foca na formação de jovens e mulheres na Reserva Extrativista Chico Mendes, no Acre, inspirado em uma carta escrita por Chico pouco antes de morrer, na qual ele vislumbra um futuro sem exploração, marcado apenas pela lembrança de um passado de dor e sofrimento.
Deixe um comentário