Em meio ao Dia Nacional da Agricultura Familiar, celebrado neste sábado (14/03/2026), um relatório do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) destaca o papel da agricultura quilombola na promoção da sustentabilidade. Comunidades remanescentes de quilombos em estados como Maranhão, Pará e Bahia adotam práticas ancestrais que preservam a biodiversidade, reduzem o uso de agrotóxicos e combatem o desmatamento, contribuindo para a segurança alimentar de mais de 200 mil famílias quilombolas.
Práticas tradicionais e agroecologia
A agricultura quilombola baseia-se em saberes transmitidos por gerações, integrando rotação de culturas, consorciação de plantas e uso de biofertilizantes. Essas técnicas evitam a exaustão do solo e promovem a resiliência climática, como demonstrado em estudos da Embrapa. Diferente do modelo monocultor convencional, elas fomentam a agrofloresta, onde árvores frutíferas coexistem com mandioca, milho e feijão, restaurando ecossistemas degradados.
- Rotação de culturas: Alterna espécies para manter a fertilidade natural do solo.
- Controle biológico: Uso de plantas repelentes e predadores naturais contra pragas.
- Sementes crioulas: Variedades adaptadas localmente, resistentes a secas e pragas.
“A quilombola não planta só comida; planta vida e memória”, afirma Maria José, liderança do Quilombo Rio dos Macacos (BA), em entrevista ao relatório do Incra.
Com políticas como o Pronaf Agroecologia ampliadas em 2025, essas práticas ganham escala, inspirando transições sustentáveis. Especialistas alertam que o reconhecimento territorial é essencial para ampliar impactos, posicionando a agricultura quilombola como modelo global de harmonia entre povo e planeta.
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