O chorume, aquele líquido malcheiroso resultante da decomposição de matéria orgânica no lixo, é conhecido por seu potencial poluente, mas em Itajaí ele se transforma em uma fonte de energia elétrica. Administrada pela empresa Ambiental, a usina local captura gases gerados pelo chorume, incluindo o metano – 23 vezes mais agressivo ao meio ambiente que o dióxido de carbono –, purifica-os e os converte em eletricidade. Essa iniciativa, integrada ao aterro sanitário da cidade, evita a liberação descontrolada de poluentes e aproveita um resíduo problemático para fins produtivos, especialmente durante o verão, quando o volume de lixo aumenta devido ao fluxo de turistas em Balneário Camboriú e Itajaí.
Heloisa Ferreira da Silva, analista de projetos da Ambiental, destaca que o aterro vai além da simples coleta de resíduos: o chorume é direcionado a uma central de tratamento de efluentes para prevenir a contaminação do solo e dos recursos hídricos, enquanto os gases são captados por uma rede de dutos espalhados pelo local. Felipe Alves, técnico eletricista da usina de biogás, explica o processo: “A gente faz a aspiração do gás e o gás só tem um leve tratamento para tirar alguns componentes e é utilizado como combustível para geração, no gerador mesmo como ali tem o motor a gente busca o gás e solta ele como um combustível”. Equipamentos importados realizam a transformação, com monitoramento diário via computador para garantir eficiência.
Iniciada em 2014, a produção de biogás no aterro de Itajaí gera atualmente entre 1,9 e 2 megawatts, o suficiente para abastecer cerca de 20 mil habitantes, com a energia injetada diretamente na rede da Celesc. Santa Catarina conta com 82 plantas de biogás, ocupando o terceiro lugar no país e registrando crescimento de 17% nos últimos dois anos, embora a maioria utilize dejetos suínos. Projetos baseados em resíduos de aterros sanitários, como o de Itajaí, ainda são incipientes, tornando a usina uma referência no estado.
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