Microplásticos têm sido destaque em diversas reportagens, com relatos de sua presença na água, no solo, em animais aquáticos e até em tecidos e órgãos humanos. Embora as notícias ainda se concentrem em mapear essas descobertas, sem detalhes específicos sobre impactos na saúde, o tema ganha força como uma nova frente para associar a cadeia do plástico à sustentabilidade e à economia circular. Definidos como partículas poliméricas menores que 5 milímetros, incluindo aquelas em escala nanométrica, eles se dividem em primários – produzidos intencionalmente, como grânulos em cosméticos e produtos de higiene – e secundários, resultantes da fragmentação de peças maiores.
A principal fonte de microplásticos é a lavagem de tecidos sintéticos, que libera essas partículas para o meio ambiente. Para combater isso, estudos exploram soluções como a instalação de filtros em máquinas de lavar roupas, uma prática que já começa a ser adotada. Pesquisas também visam reduzir a emissão diretamente pelos tecidos, conforme relata Alexander Turra, professor titular do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (USP) e coordenador da Cátedra Sustentabilidade do Oceano, mantida pela Unesco. Ele enfatiza a necessidade de abordar os microplásticos em cosméticos e itens de higiene pessoal, destacando que, apesar do tamanho pequeno, eles representam um problema significativo por estarem em todos os ambientes e entrarem no organismo via ar, água e alimentos.
Turra observa que os microplásticos causam efeitos inflamatórios, e os compostos associados a eles, como aditivos ou substâncias absorvidas, também geram impactos. O Grupo de Trabalho Plástico da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) reforça a preocupação, citando a detecção dessas partículas em diversos ambientes e organismos, sua persistência e os possíveis efeitos de longo prazo como motivos para a atenção atual.
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