O Brasil recebeu uma média anual de R$ 26,6 bilhões em financiamento climático internacional entre 2021 e 2022, um aumento de 84% em relação ao período anterior, segundo estudo do Climate Policy Initiative (CPI/PUC-Rio). Esse crescimento superou a média global de 28%, destacando-se em um contexto de recuperação pós-pandemia e mudanças na política ambiental. No entanto, apenas 2% desses recursos foram destinados às florestas, apesar de o setor de agropecuária, florestas e usos da terra responder por três quartos das emissões de gases de efeito estufa no país.
Joana Chiavari, diretora do CPI/PUC-Rio, enfatiza o papel estratégico das florestas tropicais na mitigação climática, atuando como sumidouros de carbono quando conservadas ou restauradas. Ela aponta que o setor enfrenta resistência para atrair capital privado devido a retornos longos e complexidades, embora o financiamento global para soluções baseadas na natureza tenha crescido 286% entre 2018 e 2023, impulsionado por recursos públicos. No Brasil, o setor de energia captou 53% dos fundos, com ênfase em projetos solares e eólicos.
A Europa Ocidental foi a principal origem dos recursos, respondendo por 50%, seguida pela América Latina e Caribe. Instituições públicas mobilizaram 58% do total, enquanto o setor privado cresceu quatro vezes. A maior parte (80%) foi para mitigação, com apenas 5% para adaptação. Chiavari destaca iniciativas como a Plataforma de Investimentos Climáticos e o Eco Invest Brasil para atrair mais investimentos alinhados à agenda climática nacional.
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