Daniel Rothman, matemático do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), estuda o comportamento do ciclo de carbono da Terra em épocas antigas, focando em momentos em que o sistema foi desequilibrado, levando a extinções em massa. Seu trabalho revela que muitas dessas catástrofes, incluindo a pior de todas, não foram causadas por asteroides, mas por erupções vulcânicas em larga escala que liberaram quantidades massivas de CO2 na atmosfera e nos oceanos. Esses eventos, como os das Armadilhas Siberianas no final do Permiano, há 252 milhões de anos, sobrecarregaram o ciclo de carbono, desencadeando feedbacks positivos que prolongaram o desequilíbrio por centenas de milhares de anos.
No episódio do Permiano, as erupções vulcânicas queimaram depósitos subterrâneos de combustíveis fósseis, emitindo CO2 em taxas que acidificaram os oceanos, reduziram o oxigênio e promoveram blooms de algas tóxicas, culminando na extinção de cerca de 96% das espécies marinhas. O planeta aqueceu cerca de 10°C, com tempestades intensas e oceanos anóxicos que liberaram gases tóxicos como sulfeto de hidrogênio. Rothman destaca que não é a quantidade absoluta de CO2, mas a taxa de liberação que determina se o sistema ultrapassa um limiar crítico, levando a uma espiral de destruição.
Atualmente, as emissões humanas de CO2, impulsionadas pela queima de combustíveis fósseis, ocorrem em uma taxa até dez vezes mais rápida que aquelas erupções antigas, segundo cálculos de Rothman. Isso sugere que a humanidade pode estar empurrando o planeta para um trajeto similar, com potencial para uma sexta extinção em massa em séculos ou milênios. Embora o volume total de CO2 das Armadilhas Siberianas supere o projetado para as atividades humanas, a velocidade inédita das emissões modernas ameaça sobrecarregar os mecanismos reguladores da Terra, como a absorção oceânica e a formação de rochas carbonáticas.
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