Meio Ambiente

Seis anos depois: o óleo que ainda envenena o Nordeste e ameaça o futuro

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Em agosto de 2019, o litoral do Nordeste brasileiro foi atingido por um dos maiores derramamentos de petróleo da história do país, afetando mais de 3 mil quilômetros de costa em 11 estados, do Maranhão ao Rio de Janeiro. Comunidades pesqueiras, como as do Baixo Sul da Bahia, lideraram esforços de limpeza com a ajuda de voluntários e ONGs, contendo cerca de 80% das manchas antes que chegassem às praias. No entanto, seis anos após o desastre, os impactos persistem nos ecossistemas, como manguezais contaminados, e na vida das populações locais, com mais de 5 mil toneladas de óleo removidas, mas sem punição aos responsáveis.

Os efeitos na saúde humana permanecem invisibilizados, com pescadores e marisqueiras relatando problemas como alergias, dificuldades respiratórias e transtornos mentais decorrentes do contato direto com o petróleo. Gileno Nascimento, pescador da Bahia, destaca a ausência de monitoramento pela saúde pública, enquanto Andréa Rocha, coordenadora da campanha Mar de Luta, aponta para a falta de acompanhamento que agravou questões como ansiedade e depressão. Economicamente, famílias enfrentam perda de renda e insegurança alimentar, especialmente as mulheres marisqueiras, forçando muitas a abandonar a pesca artesanal.

A campanha Mar de Luta, surgida em 2020 a partir da mobilização comunitária, exige reparação integral, incluindo proteção de territórios pesqueiros, monitoramento de saúde e ecossistemas, compensação econômica e responsabilização dos culpados. Enquanto o Nordeste ainda lida com as sequelas de 2019, novas ameaças surgem, como a possível exploração de petróleo na Foz do Amazonas, que poderia espalhar óleo para regiões vizinhas, segundo pesquisas do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá. Pescadoras como Jadeir Regina expressam o medo de repetição do desastre sem punições ou ações preventivas.

O futuro incerto reforça a necessidade de políticas que priorizem economias sustentáveis e a resistência das comunidades, que continuam a lutar por justiça socioambiental e contra a expansão da indústria petrolífera.

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