Um relatório da ONU divulgado nesta sexta-feira (13/03/2026) alerta que as mudanças climáticas estão exacerbando as desigualdades sociais em todo o mundo, com populações pobres e marginalizadas sofrendo os impactos mais severos, apesar de contribuírem menos para as emissões de gases de efeito estufa. De acordo com o documento, países em desenvolvimento, responsáveis por apenas 20% das emissões históricas globais, enfrentam perdas econômicas equivalentes a 5-10% de seu PIB anual devido a eventos extremos como secas e inundações.
Impactos desproporcionais nos vulneráveis
Os dados do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), atualizados no relatório, mostram que na África Subsaariana, secas prolongadas afetam 100 milhões de pessoas em risco de fome, enquanto em nações insulares do Pacífico, como as Ilhas Salomão, o aumento do nível do mar ameaça deslocar comunidades inteiras. Mulheres e minorias étnicas são as mais impactadas, com acesso limitado a recursos de adaptação. A Oxfam estima que os 10% mais ricos da população mundial emitem 50% do CO2, enquanto os 50% mais pobres arcam com 75% dos custos climáticos em saúde e migração forçada.
- Em 2025, furacões no Caribe causaram US$ 200 bilhões em danos, 80% concentrados em áreas de baixa renda.
- No Brasil, enchentes no Sul em 2024 deslocaram 500 mil pessoas pobres, agravando a pobreza urbana.
- Projeções indicam 200 milhões de migrantes climáticos até 2050, majoritariamente do Sul Global.
“As mudanças climáticas não são apenas ambientais; elas são um multiplicador de desigualdades”, afirma o secretário-geral da ONU, António Guterres, no prefácio do relatório.
Para mitigar esses efeitos, o relatório defende maior financiamento climático aos países vulneráveis, transição justa para energias renováveis e políticas inclusivas. Especialistas enfatizam que ações globais coordenadas são essenciais para conscientizar e equacionar justiça social com sustentabilidade ambiental.
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