Em meio à retomada de projetos de infraestrutura no Brasil, comunidades quilombolas e povos indígenas enfrentam riscos crescentes de despejo e perda territorial devido a grandes obras como a Ferrovia Ferrogrão e usinas hidrelétricas no rio Tapajós. Em 18 de março de 2026, relatórios do Instituto Socioambiental (ISA) e da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) alertam para violações de direitos constitucionais, com audiências públicas marcadas para esta semana em Brasília após protestos em Altamira (PA).
Impactos da Ferrovia Ferrogrão
A Ferrogrão (EF-170), planejada para conectar Mato Grosso ao porto de Miritituba (PA), ameaça terras de 11 povos indígenas, incluindo Kayapó, Panará e Xikrin, além de 15 comunidades quilombolas na Terra Indígena Kayapó e Baía do Sol. Estudos do ISA indicam desmatamento de 1.000 km² e contaminação de rios por soja transgênica, violando a Convenção 169 da OIT. Quilombolas relatam perda de roças tradicionais e insegurança alimentar.
- Tapajós em risco: Propostas de sete hidrelétricas afetam 22 comunidades Munduruku, com demarcação pendente desde 2016.
- Mineração ilegal: Em Volta Grande do Xingu (PA), a mineradora Belo Sun pressiona terras quilombolas pós-Belo Monte.
- Resistência: Acampamentos indígenas bloqueiam rodovias BR-163 desde fevereiro de 2026.
“Essas obras priorizam exportações em detrimento de direitos ancestrais”, afirma Sonia Guajajara, ministra dos Povos Indígenas.
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