Em 19 de março de 2026, comunidades quilombolas e povos indígenas da Amazônia brasileira enfrentam crescentes ameaças de deslocamento e perda cultural devido ao avanço de grandes projetos de infraestrutura. A Ferrovia Ferrogrão (EF-170), com licenciamento ambiental em fase final pela Anvisa e Ibama, atravessa 12 terras indígenas e 22 quilombos nos estados do Mato Grosso e Pará, segundo relatório do Instituto Socioambiental (ISA). Outras obras, como a expansão da mineração na Volta Grande do Xingu (PA), agravam o cenário, afetando cerca de 20 mil pessoas.
Projetos em destaque e seus impactos
A Ferrogrão, que ligará Sinop (MT) a Miritituba (PA) para escoar grãos, promete impulsionar o agronegócio, mas ignora consultas prévias livres e informadas (CPFI), exigidas pela Convenção 169 da OIT. Quilombolas de Mura e indígenas Munduruku relatam risco de contaminação de rios e destruição de roças tradicionais. Na região do Xingu, a mineradora Belo Sun pressiona por licenças, revivendo conflitos semelhantes aos da Usina de Belo Monte, concluída em 2019, que desalojou ribeirinhos e alterou ecossistemas.
- Ferrogrão: Afeta Kayapó, Panará e Xikrin.
- Mineração no Xingu: Ameça Arara e Juruna.
- Impactos comuns: Perda de territórios, fome e violência.
Organizações como a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) e a Coordenação Nacional de Quilombos (Conaq) cobram moratórias e estudos de viabilidade socioambiental. Especialistas defendem alternativas sustentáveis, como ferrovias desviadas e energias renováveis. A conscientização pública é crucial para pressionar por políticas que equilibrem desenvolvimento e direitos humanos, preservando a biodiversidade amazônica.
Deixe um comentário