Meio Ambiente

ICMBio chega à maioridade: conquistas e desafios na preservação da biodiversidade

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Na comunidade Porangaba, na reserva extrativista Chico Mendes, no Acre, onde vivem cerca de 3,5 mil famílias, o trabalhador rural Dione Torquato, de 38 anos, destaca melhorias nas condições de trabalho e vida nas últimas duas décadas. Atuando na pesca artesanal, no seringal e na produção de castanha e açaí, ele afirma que políticas públicas chegaram ao território, embora ainda sejam necessários aperfeiçoamentos. Torquato, que é secretário-geral do Conselho Nacional das Populações Extrativistas, participou de evento comemorativo dos 18 anos do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), na quarta-feira (27), e avaliou o órgão como fundamental para o fomento à produção, cursos de capacitação, monitoramento e controle dos territórios.

Entre as prioridades apontadas por Torquato estão a inclusão digital, o aperfeiçoamento de políticas de educação, trabalho e renda para reter os jovens nas reservas, que desejam permanecer e diversificar oportunidades. No mesmo evento, a ministra do Meio Ambiente e da Mudança do Clima, Marina Silva, enfatizou o papel do ICMBio na conservação da biodiversidade em um cenário desafiador do século 21. Ela destacou que a criação do instituto representou uma evolução histórica para o Brasil, promovendo uma atuação técnica e sensível, e afirmou que gestores, independentemente de ideologia, não podem ser negacionistas em relação ao meio ambiente.

Em entrevista à Agência Brasil, o presidente do ICMBio, Mauro Pires, sociólogo de formação, explicou que a instituição gerencia 344 unidades de conservação, equivalentes a cerca de 9,5% do território brasileiro, com o desafio de conservar a biodiversidade e respeitar os direitos das populações extrativistas. Ele mencionou impactos como atividades agropecuárias e industriais, defendendo a parceria com o setor empresarial para soluções. Pires também abordou preocupações com o desmatamento em biomas como Amazônia, Cerrado, Mata Atlântica e Caatinga, com planos de ação para reduzir ameaças, monitoramento e fiscalização. O instituto conta com cerca de 1,5 mil servidores, reforçados por 350 novos via concurso, e planeja ampliar o quadro para lidar com a vastidão do território.

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