O mercado de carbono, concluído na COP29 em Baku, no Azerbaijão, sob coordenação da ONU, não é suficiente para promover a transição energética necessária para combater a crise climática. Essa é a avaliação do professor Pedro Paulo Zahluth Bastos, do Instituto de Economia da Unicamp, em artigo publicado na revista Phenomenal World. Segundo o economista, o mecanismo, que fixa cotas de emissão de gases de efeito estufa e permite a venda de créditos, serve mais para desviar o debate do que para gerar soluções efetivas, pois falha em incentivar a substituição de fontes fósseis por renováveis sem um planejamento estatal robusto.
Bastos argumenta que os mercados de carbono não conseguem estabelecer um preço global único para o carbono, devido a divergências internacionais, o que prejudica a redução das emissões globais. Ele destaca que, mesmo com aumentos nos preços, as empresas continuam dependentes de combustíveis fósseis por falta de tecnologias e infraestrutura alternativas acessíveis. Além disso, a baixa lucratividade das energias renováveis, com retornos anuais entre 6% e 8%, contrasta com os investimentos em fósseis, que beneficiam de oligopólios como a Opep e retornos acima de 10%. O economista cita que, desde o Protocolo de Kyoto em 1997 até 2024, o consumo de fósseis aumentou 58%, reduzindo sua participação na matriz energética mundial de 85,8% para 81%.
O professor também critica a compensação por florestas, afirmando que o reflorestamento global máximo de 900 milhões de hectares absorveria apenas o equivalente a cinco anos de emissões atuais. Ele ressalta a concentração de poluidores: até 2010, 90 instituições respondiam por 63% das emissões, e entre 2016 e 2022, 57 corporações por 80%. Bastos menciona a influência política, como os US$ 445 milhões gastos por empresas de fósseis nas eleições de 2024 nos EUA para apoiar Donald Trump, que abandonou o Acordo de Paris. Para o especialista, mercados de carbono e compensações florestais só funcionam com um sistema elétrico alternativo já implementado, e não como substitutos ao planejamento público.
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