Em meio aos desafios climáticos globais, comunidades quilombolas brasileiras destacam-se por práticas agrícolas ancestrais que promovem a sustentabilidade, conforme relatório divulgado nesta quarta-feira (8) pelo Instituto Socioambiental (ISA). Essas técnicas, baseadas em saberes tradicionais, reduzem o uso de agrotóxicos em até 90% e preservam a biodiversidade, servindo de modelo para a agroecologia nacional.
Práticas tradicionais e sua relevância atual
A agricultura quilombola, praticada por descendentes de povos escravizados em mais de 2 mil comunidades reconhecidas pelo INCRA, enfatiza o consórcio de culturas, o uso de sementes crioulas e o manejo integrado de pragas. No Quilombo Kalunga, em Goiás, por exemplo, agricultores mantêm sistemas agroflorestais que sequstram carbono equivalente a 5 toneladas por hectare anualmente, segundo estudos da Embrapa. Essas abordagens evitam o desmatamento e fortalecem a resiliência a secas, agravadas pelas mudanças climáticas.
- Sementes crioulas: Adaptadas localmente, resistem a pragas sem químicos.
- Rotação de culturas: Mantém a fertilidade do solo naturalmente.
- Agrofloresta: Integra árvores frutíferas, melhorando a biodiversidade.
“Os quilombolas são guardiões da sociobiodiversidade brasileira”, afirma o antropólogo Charles Valério, do ISA, destacando o potencial para políticas públicas de transição agroecológica.
Com o avanço da titulação de terras quilombolas — que alcançou 40% dos territórios em 2025 —, governos e ONGs investem em capacitação, ampliando o impacto. Especialistas preveem que, até 2030, essas práticas possam mitigar 10% das emissões agrícolas do país, fomentando segurança alimentar e conservação ambiental.
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