Na COP30, realizada em Belém, o Dia de Gênero destacou o impacto desigual das mudanças climáticas sobre as mulheres. A ministra da Mulher, Márcia Lopes, enfatizou que a justiça climática só é possível com justiça de gênero, pois as mulheres são as mais afetadas por problemas como falta de água, insegurança alimentar, pobreza e aumento da violência em desastres. Segundo ela, esses impactos têm dimensões raciais e territoriais específicas.
Apesar dos desafios, as mulheres são vistas como guardiãs de soluções climáticas. Márcia Lopes destacou que elas cuidam de sementes, água, hortas e preservam saberes ancestrais, liderando redes de solidariedade. Estudos indicam que a participação feminina na gestão ambiental pode tornar os resultados até sete vezes mais eficazes. A representante da ONU Mulheres no Brasil, Ana Carolina Querino, reforçou a necessidade de soluções específicas, não universais, baseadas na resiliência das mulheres.
Ana Carolina apontou dados alarmantes: mais de 250 milhões de mulheres podem ser empurradas para a pobreza e insegurança alimentar, contra 130 milhões de homens. Além disso, as mulheres enfrentam sobrecarga de cuidados com vulneráveis, como idosos e pessoas com deficiência, agravada pelo aquecimento global.
O debate se conecta ao Programa de Trabalho de Lima sobre Gênero, criado em 2014 e prorrogado na COP29, que promove o equilíbrio de gênero nas ações climáticas. Ana Carolina concluiu que planos de ação precisam de compromisso político, financiamento e liderança feminina para serem efetivos.
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