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Mulheres indígenas marcham em Brasília para denunciar os impactos do garimpo ilegal

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Mais de 5 mil mulheres indígenas de diferentes povos e dos seis biomas brasileiros se reuniram em Brasília entre os dias 2 e 8 de agosto de 2025 para a IV Marcha das Mulheres Indígenas, organizada pela Articulação Nacional das Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade (ANMIGA). Sob o tema “Nosso corpo, nosso território: somos as guardiãs do planeta”, o evento destacou a resistência das mulheres indígenas contra ameaças ambientais e sociais, servindo como espaço para escuta, denúncias e ações coletivas. A mobilização ganhou dimensão internacional com o Espaço Ancestral de Resistência Global, nos dias 5 e 6 de agosto, promovendo intercâmbios entre mulheres de diversos países em defesa da justiça climática e dos saberes tradicionais.

O garimpo ilegal foi um dos principais alvos das denúncias, sendo identificado como vetor de violência e destruição ambiental nos territórios indígenas. Pesquisas da Fiocruz revelam que mulheres e crianças Yanomami apresentam níveis alarmantes de contaminação por mercúrio, com amostras variando de 0,08 a 13,87 microgramas por grama, superando o limite de 2,0 microgramas por grama estabelecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Em comunidades Munduruku nos territórios Sawré Muybu, Sawuré Aboy e Povo Muybu, 62% das mulheres em idade reprodutiva excedem o limite de 6,0 microgramas por grama, aumentando riscos durante a gravidez e causando déficits cognitivos em 40,2% das mulheres Yanomami examinadas.

Além da contaminação, as mulheres indígenas enfrentam violência sexual e negligência na saúde, com relatos de garimpeiros oferecendo itens em troca de sexo e casos de estupro, como a morte de uma adolescente Yanomami em 2022 na região de Waikás. Dados da Fiocruz indicam que metade das mulheres indígenas sofre de anemia grave, com taxas de 66% na Região Norte, e mortalidade por câncer de colo do útero 80% maior do que em mulheres não indígenas de baixa renda, agravada pela falta de acesso a exames e tratamentos.

A marcha reforça a luta pela proteção dos corpos e territórios como essenciais para a preservação ambiental, posicionando as mulheres indígenas como guardiãs do planeta e convocando ações para combater o garimpo e garantir direitos à saúde e ao território.

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