No Dia Mundial da Água, celebrado neste domingo (22/03/2026), um relatório da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) e da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ) alerta para as crescentes ameaças de grandes projetos de infraestrutura contra comunidades tradicionais na Amazônia. Obras como a Ferrovia Ferrogrão (EF-170) e a rodovia BR-319 colocam em risco pelo menos 25 territórios indígenas e quilombolas, com impactos diretos em rios, florestas e modos de vida ancestrais.
Projetos sob escrutínio
A Ferrogrão, que visa transportar grãos do Mato Grosso ao Pará, teve licença ambiental parcial concedida pelo Ibama em fevereiro de 2026, após anos de controvérsias. Povos como os Kayapó e Xikrin denunciam que a ferrovia fragmentará terras demarcadas, facilitando invasões por garimpeiros e desmatamento. Já a duplicação da BR-319 ameaça quilombolas no Amazonas, como a comunidade Rio Pardo, com perda de acesso a nascentes e contaminação por mercúrio. Esses projetos, impulsionados pela exportação agropecuária, ignoram consultas prévias livres e informadas, violando a Convenção 169 da OIT.
“Nossos rios são nossa vida. Grandes obras os secam e nos empurram para o esquecimento”, afirma Juma Xipaya, liderança Munduruku, em declaração à CPIB.
Especialistas em educação ambiental destacam os impactos cumulativos: perda de biodiversidade, alterações climáticas locais e violação de direitos humanos. Organizações como Greenpeace e WWF cobram estudos de viabilidade socioambiental rigorosos e alternativas sustentáveis, como ferrovias existinges. O governo federal promete audiências públicas, mas ativistas exigem moratória até titulações fundiárias completas, conscientizando sobre a necessidade de equilibrar desenvolvimento e preservação cultural.
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