Em meio ao avanço de projetos de infraestrutura na Amazônia, comunidades quilombolas e povos indígenas enfrentam graves ameaças de grandes obras como a Ferrovia Ferrogrão e hidrelétricas no rio Tapajós, segundo relatório divulgado nesta quinta-feira (26/03/2026) pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB). Esses empreendimentos, aprovados ou em licenciamento pelo governo federal, colocam em risco territórios tradicionalmente ocupados, com desmatamento acelerado e violações de direitos constitucionais.
Principais conflitos identificados
- Ferrogrão (EF-170): A ferrovia de 930 km, que ligará Mato Grosso ao Pará para escoamento de grãos, atravessa 13 terras indígenas e 20 comunidades quilombolas, promovendo invasões e perda de biodiversidade em áreas de floresta primária.
- Hidrelétrica São Luiz do Tapajós: Povos Munduruku e quilombolas de Fordlândia denunciam inundações de terras sagradas e destruição de habitats de espécies endêmicas, apesar de decisões judiciais suspensivas.
- Mineração em terras Yanomami: Garimpo ilegal intensificado por rodovias federais ameaça o bioma amazônico, com contaminação por mercúrio afetando rios e a saúde de 30 mil indígenas.
Ambientalmente, essas obras contribuem para o desmatamento de mais de 1 milhão de hectares nos últimos anos, segundo dados do INPE, exacerbando mudanças climáticas e perda de serviços ecossistêmicos como regulação hídrica. Especialistas alertam que a ausência de consultas prévias, livres e informadas (Convenção 169 da OIT) agrava conflitos sociais.
“A preservação desses territórios é essencial para a luta global contra o aquecimento global”, afirma o antropólogo Eduardo Viveiros de Castro, em entrevista recente.
Organizações como o Greenpeace e a Comissão Pastoral da Terra cobram moratórias e avaliações ambientais rigorosas, enquanto o STF julga ações que podem barrar os projetos. A conscientização pública é crucial para equilibrar desenvolvimento e sustentabilidade.
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