Um estudo divulgado nesta segunda-feira (23/03/2026) pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) revela que terras indígenas no Brasil registraram 82% menos desmatamento em 2025 em comparação com áreas não protegidas, graças a práticas sustentáveis ancestrais mantidas por povos como os Yanomami, Kayapó e Guarani. O relatório, baseado em dados de satélite, destaca como esses conhecimentos tradicionais contribuem para a preservação da biodiversidade amazônica e o equilíbrio climático global.
Práticas tradicionais em ação
Os povos indígenas empregam técnicas como a roça de coivara, um sistema de agricultura itinerante que envolve o corte seletivo de vegetação, queima controlada e rotação de solos para restaurar a fertilidade natural, evitando o esgotamento da terra. Além disso, o manejo florestal sustentável, praticado pelos Kayapó no Parque Indígena do Xingu, permite a colheita de frutos como castanha-do-pará e açaí sem comprometer a regeneração da floresta.
- Extrativismo de produtos não madeireiros, como óleos essenciais e fibras, que gera renda sem derrubar árvores.
- Uso de fogo prescrito para renovar pastagens e controlar pragas, reduzindo riscos de incêndios maiores.
- Preservação de sementes nativas e rotação de culturas em agroflorestas, promovendo a diversidade biológica.
“Essas práticas não são apenas sobrevivência, mas uma sabedoria milenar que o mundo precisa reconhecer para enfrentar as mudanças climáticas”, afirma Ailton Krenak, líder indígena e ambientalista, em entrevista ao estudo do INPE.
A pesquisa reforça a importância da demarcação de terras indígenas para a sustentabilidade nacional, incentivando políticas públicas que integrem esses saberes tradicionais à agricultura moderna e ao combate ao aquecimento global.
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