Em meio ao avanço do desmatamento na Amazônia, povos indígenas brasileiros como os Yanomami, Kayapó e Guarani mantêm práticas ancestrais de sustentabilidade que preservam vastas áreas de floresta e biodiversidade. Um relatório recente da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), divulgado em março de 2026, destaca que terras indígenas demarcadas registraram redução de 40% no desmatamento em 2025, graças ao manejo tradicional de recursos naturais. Essas estratégias, transmitidas oralmente há gerações, oferecem lições valiosas para a agenda ambiental mundial.
Principais práticas adotadas
- Roça itinerante: Sistema de agricultura em que áreas são cultivadas por poucos anos e depois deixadas para regeneração natural, evitando esgotamento do solo. Os Guarani, por exemplo, plantam mandioca, milho e feijão em rotação, sem agrotóxicos.
- Manejo florestal: Extração seletiva de produtos como açaí, castanha-do-pará e óleos essenciais pelos Kayapó, que monitoram árvores frutíferas em territórios demarcados, promovendo a regeneração da mata.
- Pesca e caça reguladas: Uso de tabus sazonais e áreas de preservação pelos Yanomami, garantindo a reprodução de espécies aquáticas e terrestres.
Essas práticas não só sustentam comunidades indígenas, mas também contribuem para a captura de carbono e a proteção de nascentes. Estudos do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) mostram que o conhecimento etnobotânico indígena identifica plantas medicinais com potencial para novos fármacos sustentáveis.
“Nossa floresta é nossa farmácia e nossa casa. Cuidamos dela para que ela cuide de nós e das gerações futuras”, afirma Aritana Yawanawá, liderança indígena, em entrevista à Funai este mês.
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